“Utilitas, Firmitas, Venustas” são os três princípios enunciados por Vitrúvio como base para o primeiro tratado de arquitectura, os “Decem Libri”.Vitrúvio não só foi referencial para todos os tratadistas desde o renascimento até ao neoclassicismo (quem não reconhece a interpretação feita por Leonardo das medidas Vitruvianas do homem) como esteve na base da renovação da arquitectura moderna iniciada em Paris e depois consagrada na “Carta de Atenas”.
A redacção da obra terá acontecido entre 35 e 25 a.C. podendo a entrega do manuscrito ao Imperador Octávio César Augusto ter decorrido por volta de 20 a.C., tudo isto se depreende da leitura da própria obra que poderá não ter sido toda escrita ao mesmo tempo. Sabemos que terá estado ao serviço de Júlio César nas suas campanhas e seria protegido de Octávia irmã do Imperador. Os sete primeiros livros tratam da Arquitectura propriamente dita aos quais terá juntado mais três sobre Hidráulica, Astronomia e Mecânica para obter o número ideal Pitagórico de dez.
Vitrúvio inicia este tratado, livro I, versando sobre a formação de um arquitecto, que deve conjugar o que eram, na altura, vistas como as ciências e artes “verdadeiras”: a medicina, a música, a astronomia, a história, a geometria e a matemática. O arquitecto deve formar-se num ser completo, aberto ao estudo, ao mundo, abrangendo assim as diversas áreas do conhecimento humano.
Mas o tratadista vai mais longe nesta análise, no capítulo terceiro do mesmo livro, explica em que se divide a arquitectura - a edificação, a gnomónica e a mecânica - bem como a os seus princípios - a solidez, a funcionalidade e a beleza.
Citemos o próprio Vitrúvio, “O princípio da solidez estará presente quando for feita a escavação dos fundamentos até ao chão firme e se escolherem diligentemente e sem avareza as necessárias quantidades de materiais. O da funcionalidade, por sua vez, será conseguido se for bem realizada e sem qualquer impedimento a adequação do uso dos solos, assim como uma repartição apropriada e adaptada ao tipo de exposição solar de cada um dos géneros. Finalmente, o princípio da beleza atingir-se-á quando o aspecto da obra for agradável e elegante e as medidas das partes corresponderem a uma equilibrada lógica de comensurabilidade.”
Em conclusão poderei afirmar que se trata de uma obra elementar para qualquer arquitecto mas principalmente para quem o aspira ser, deixando bem claro que a subida ao templo da arquitectura, faz-se degrau a degrau e cada degrau é tão importante como o anterior.
1 comentário:
Já era tempo de mais um post com a qualidade que a autora habituou quem se interessa por estes assuntos.
Parabéns e continue!
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